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A MUDA DA ULTIMA REMIGE

A MUDA DA ÚLTIMA REMIGE


"O mês de Dezembro marca o fim da grande muda.Todos os pombos, incluindo os tardios adultos, renovaram completamente as suas penas de cobertura e do pescoço. Apresentam-se realmente bonitos. Sobretudo os pombos do ano. E se a selecção não foi feita ainda, somos tentados a não eliminar esses bonitos pombos, tão prometedores apesar das decepções que causaram no curso da campanha. Concluímos depressa que estão mais bonitos que no ano precedente e que em 90% dos casos, o ronceiro passará o inverno, será jogado no ano seguinte e causará novas e amargas decepções.

A muda da última remige é importante e os resultados do ano seguinte podem depender delas. Porque uma má última remige prejudicará as prestações futuras ou impedi-las-á mesmo.

Citaremos como prova o facto de ver os pombos recusar o voo quando a última pena caiu ou não cresceu ainda ao seu comprimento normal. Devemos portanto, supor que os pombos sofrem e suportam algumas dificuldades para se manterem no ar e preferem ficar no telhado e por vezes entram para o pombal exactamente como os borrachos que efectuam as suas primeiras saídas de reconhecimento e parecem assustados com o que se passa no exterior.

Convém sobretudo não obrigar os pombos a ir para o ar. Mas, pelo contrário, deixá-los estar pelo telhado ou no pombal. Quando a última pena estiver no seu comprimento normal, retomarão os voos normalmente sem serem obrigados. A menos que a saúde seja deficiente, mas isso é outro problema.

Quando a última pena estiver em parte fora, o perigo é ainda maior. Os pombos nunca saiem neste período. Mesmo que fiquem 15 dias no pombal.Basta um bater de asa infeliz, um choque ou uma escaramuça para ferir a pena em formação. No pombal, os pombos ficam calmos. Cada um ocupa metade do casulo e repousam.

O problema da alimentação mantem-se importante. Deve dizer-se que é um problema de todo o ano, mas a nossos olhos, reveste-se de grande importância no período de muda e no período da viuvez. Pensem na massa de penas que se renovam em algumas semanas. Que gasto de energias!

E a sua recuperação só será possível mediante uma alimentação de 1ª qualidade e sobretudo uma alimentação abundante. Não convém dar uma ração reduzida, antes pelo contrário, convèm dar-lhes tudo de que têm necessidade. Um pombo é sempre diferente de um outro. Ignoramos o funcionamento de cada organismo. Um recupera com uma tal quantidade de ração pelo facto de o seu organismo assimilar perfeitamente tudo. O outro deverá comer muito mais para armazenar uma porção de idêntica energia. Aconselhamos, portanto, a alimentar abundantemente a fim de que cada pombo possa comer o que precisar.

Certos amadores têm tendência em passar ao regime de inverno imediatamente após a queda da ùltima remige. Os pombos que estão com um pouco de avanço sobre os outros demonstram mais vitalidade e esses amadores querem acalmá-los imediatamente. Conseguem isso, talvez, mas prejudicam os outros pombos cujas penas não atingiram ainda o comprimento normal. Alguns defeitos , uma paragem de crescimento da pena, podem aparecer.

Pensamos que estes amadores cometem um erro. Na nossa colónia, não passamos ao regime de inverno a não ser quando todos os pombos tenham a última remige no comprimento normal. Evidentemente, falamos dos adultos instalados no pombal de viuvez e das fêmeas instaladas nesse momento no pombal dos poleiros ou xadrez.

Portanto, nenhuma mudança de ração antes que a muda esteja completamente terminada. Trata-se de um ponto muito importante. Sigam o nosso conselho e não se arrependerão.

A muda é um fenómeno natural, diz-se muitas vezes. Com pombos que viajam convém tomar certas precauções. Alguns não lhe dão nenhuma atenção, já sabemos. E depois parecem ficar surpreendidos, desorientados quando alguns pombos em que tinham algumas esperanças se comportarem nos concursos como vulgares viajantes. Nunca se deve apostar na sorte ou no acaso. Pelo contrário, um excesso de atenção na condução dos pombos nessa altura não os prejudicará, mas permitirá talvez a alguns fazer sobressair a sua classe.

Certos pombos, como certos desportistas possuem toda uma grande classe inacta. A sua constituição superior basta para os fazer triunfar. São os grandes "cracks". São raros e não existem em todos os pombais.

Mas, ao lado deles, há uma série que obtém resultados médios, mas que se fossem tratados por um columbófilo meticuloso, observador, classificar-se-iam acima dos seus rivais e subiriam vários escalões na hierarquia dos pombos de classe.

Com os nossos cuidados, o nosso trabalho e observação, com a aplicação de um bom método, esforçar-nos-emos por obter de cada pombo o máximo de rendimento de que é capaz.

Quando a muda se aproxima do fim, convèm manter-se muito atento para não haver nenhum acidente por negligência irreflectida e imperdoável."