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COLUMBOFILA - BOLETIM INFORMATIVO

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Analogia com os pássaros

A partir da idéia do nosso Diretor Ivan de Sousa Neto, de trazer esse belo texto para o conhecimento dos ornitofilista - colocamos o artigo neste site,por achá-lo muito interessante e análogo aos nossos pássarios, em especial, quando participam de torneios e assim, no retorno analisar os efeitos que poderiam ocorrer no caso da utilização para a reprodução.

FEDERAÇÃO COLUMBÓFILA BRASILEIRA
BOLETIM INFORMATIVO N° 09
COLABORADORES: MARCIO MATTOS - MAURÍLIO OLIVEIRA

Gordon A Chalmers – Doutor em Medicina Veterinária.

Gordon é o cientista dentre os veterinários de pombos. Seus artigos abrangem um vasto terreno no esporte e são muito lidos em todos os países do mundo. A Editora “Winning” (Vencedora) tem orgulho de ter um autor tão famoso e um homem tão notável na sua equipe de autores!Se você tiver um problema de saúde com suas aves, os artigos de Gordon o ajudarão.

GORDON CHALMERS – DVM (Doutor em Medicina Veterinária) RESPONDE PERGUNTAS FORMULADAS POR MIKE LYCETT

P. Eu tenho lido sobre “miosite”. O que você pode me dizer sobre isso?

R. Falando precisamente, a definição de “miosite” é “inflamação de músculo. No contexto da pergunta, eu compreendo que na mente dos criadores, “miosite” diz respeito a “carne azul” (cianose), cujas causas parecem ser diversas. Em certa época, a “carne azul” era comumente associada a dietas alimentares ricas em proteína após uma corrida – daí a prática européia de utilizar dietas leves após uma corrida para evitar a “carne azul”. No meu modo de ver, a “carne azul” está associada fundamentalmente com distúrbio de circulação sangüínea por qualquer motivo que seja. Freqüentemente, a “carne azul” é percebida em uma ave após uma corrida árdua, para mim refletindo algum nível de desidratação e circulação debilitada. Uma visão geral dessa condição é apresentada no livro “A Saúde e Manejo de Pombos de Vôo dos Veterinários”, escrito pelo famoso veterinário australiano Colin Walker. Ele acha que está relacionada a uma das três condições:

1) Quando as aves têm dificuldade de oxigenar o sangue, ou respirar.

Quando o nível de oxigênio no sangue está baixo, sua cor é escura (azulada) e, ao circular através do músculo, o próprio músculo adquire uma coloração azulada. As causas podem incluir infecção respiratória, na qual o sangue não é oxigenado adequadamente, ou qualquer condição que interfira com a respiração, tal como um tumor sólido na cavidade do corpo, ou obesidade.

2) Aves saudáveis são exercitadas além de sua capacidade física.

Essas aves desenvolvem miosite ou cãibra. Em um músculo saudável em atividade, as reservas de energia são gastas durante os exercícios e subprodutos desse processo são removidos através da circulação sangüínea no músculo. Se uma ave for exercitada além do limite de sua capacidade física, a circulação não poderá suportar a quantidade desses subprodutos. Como resultado, eles se acumulam no músculo e causam danos. O músculo afetado fica azul e, em casos mais graves, ele inchará e ficará dolorido.

3) Práticas deficientes de saúde e manejo, que inibem o desenvolvimento da capacidade física.

Do ponto de vista da moléstia, cancro úmido e infecção respiratória impedirão que as aves suportem até mesmo exercício moderado. No manejo, é importante associar os componentes dietéticos tais como gorduras e proteínas com as necessidades de energia das aves e a quantidade de tempo que estão em vôo. Criadouros lotados ou excessivamente úmidos também podem ser uma causa.

P. Qual é a diferença entre os ovos de Verme Peludo (Capillaria obsignata) e os de Tênia (Hymenolepis columbae e Raillietina columbae)?

R. Os Vermes Peludos, que são formalmente conhecidos como Capillaria obsignata, liberam ovos no formato de limões ovais. Caracteristicamente, esses ovos também possuem uma cavidade, semelhante a uma rolha, em cada extremidade. Esses ovos necessitam de um período de incubação em um ambiente úmido e arejado para o desenvolvimento de um jovem verme peludo. Quando as aves ingerem esses ovos ao bicar o solo, o jovem verme choca no intestino, torna-se adulto e o ciclo continua. As Tênias liberam seus ovos através dos segmentos finais de seus corpos. Esses segmentos separam-se do corpo principal da Tênia e então são liberados com as fezes onde podem ser vistos como pequenos segmentos sinuosos. Com freqüência, insetos comem os segmentos junto com os ovos que se desenvolvem nesses mesmos insetos. Os insetos são então comidos pelo pombo e o ciclo vital continua.

P. Porque algumas aves desenvolvem tumores?

R. Um motivo é que os tumores, sejam benignos ou malignos, podem se desenvolver em indivíduos de muitos espécimes, incluindo os pombos, a medida que envelhecem. Quando isso ocorre, uma vez que o indivíduo geralmente já passou de sua plenitude reprodutiva, o sistema imunológico se torna menos vigilante e incapaz de destruir células cancerosas quando aparecem em qualquer parte do corpo. Essas células cancerosas se reproduzem e, no caso de massas malignas, podem invadir tecidos adjacentes ou permanecer como uma massa sólida em determinado local. Tumores podem se originar, bem como afetar, de qualquer tecido do corpo.

P. O que você diagnosticaria se uma ave apresentasse fungos nas fezes?

R. Fungos de vários tipos são comuns no ambiente que nos cerca. Esporos de fungos flutuam nas correntes de ar no criadouro e pousam em diferentes superfícies, incluindo fezes recentes, como as de filhotes num ninho. A presença de fungos se desenvolvendo nas fezes indica um nível ideal de umidade e calor para o desenvolvimento e crescimento do tipo aéreo de fungo. Eu diria que quando isso ocorre, a umidade está razoavelmente elevada no criadouro, e talvez a ventilação e circulação de ar para permitir o ressecamento das fezes não sejam as melhores. Entretanto, às vezes o ambiente no próprio ninho proporciona níveis mais elevados de retenção de umidade naquela área, mesmo que o restante do criadouro pareça razoavelmente seco. Esse aspecto tem me preocupado há algum tempo. Nós nos esforçamos ao máximo para assegurar que os criadouros estejam secos, bem ventilados e aquecidos pelo desenvolvimento da espécie, mesmo assim, no caso de aves viúvas, por exemplo, parece que negligenciamos o micro ambiente da ninheira, na qual os machos viúvos passam a maior parte do dia. Às vezes eu acredito que essa pequena “casa” particular é insuficientemente ventilada, muito fechada e abafada, e por isso eu imagino se todos nós precisamos prestar mais atenção no tamanho, estrutura e ventilação das ninheiras nas quais guardamos nossas aves pelo maior tempo de suas carreiras de competição. É só uma idéia.

P. O adenovírus (Doença das Aves Jovens) é corriqueiro lá no Canadá e nos Estados Unidos?

R. Eu não sei se essa infecção é “corriqueira” em todo o continente, mas certamente é em algumas áreas, especialmente nos recantos de corrida de pombos – no Leste do Canadá e no Nordeste dos Estados Unidos – onde tem interferido seriamente nas corridas de aves jovens. Todo o estresse enfrentado por uma ave jovem durante os treinos e as corridas parece afetar negativamente o desenvolvimento do sistema imunológico e permitir a proliferação tanto do componente adenoviral quando do seu companheiro, o organismo E. Coli, com conseqüente propagação para aves suscetíveis no criadouro ou no caminhão de transporte.

P. Porque algumas aves apresentam cálamos sangüíneos (penas de sangue)?

R. Cálamos sangüíneos fazem parte do desenvolvimento normal de uma nova pena, portanto, ao meu ver, todas as aves as têm em um determinado ponto do crescimento e no ciclo de desenvolvimento da pena – examine uma ave com as penas recentemente em regeneração. Em excesso, cálamos sangüíneos indicam um problema associado ao estresse, tal como uma doença infecciosa. De acordo com David Marx, um proeminente veterinário de pombos nos Estados Unidos, cálamos sangüíneos podem ser vistos como uma manifestação de infecção eruptiva. Em outras situações, cálamos sangüíneos têm sido vistos como uma infecção circoviral. Sua presença acentuada parece evidenciar um problema essencial, como os acima mencionados, além de outros.

P. Qual a sua opinião sobre Baytril?

R. Eu acho que Baytril é um excelente produto que, se usado corretamente, pode ser benéfico aos criadores que têm que lidar com certas infecções. Baytril, também chamado enrofloxacina, é um produto antibacteriano sintético (que dizer, não natural) que possui uma ação contra uma variada gama de agentes bacterianos que afetam seres vivos. Esse produto é rapidamente absorvido pelo organismo e penetra bem em todos os tecidos do corpo. Pode até ser que seja o melhor produto que temos para infecções causadas por organismos tifóides e E. Coli, dentre outras também incluídas nessa categoria de bactérias conhecidas como organismos Gram-negativos. Baytril possui uma grande capacidade de prevenir a repetição de surtos de bactérias tifóides quando é utilizado na medida de 6 miligramas por libra (453,59 gramas) durante dez dias – a qual supomos suficiente para que o estado de hospedeiro tenha sido eliminado dessas aves. (Lembre-se que a maioria dos seres infectados com organismos tifóides são relativamente capazes de eliminar essas bactérias de seus organismos). O problema é que o indivíduo por si só não consegue isso, e o resultado é o estado de hospedeiro. Lembrem-se do caso clássico da “Maria Tifóide”, a ajudante de cozinha que espalhou infecção tifóide para muitas pessoas para as quais trabalhou em diversas oportunidades, através da comida que ela manuseava diariamente. Quando tal hospedeiro está estressado, os organismos tifóides instalados no organismo começam a se multiplicar e se espalhar através das fezes, nas quais outras aves podem ser contaminadas e subseqüentemente infectadas. Baytril parece ser capaz de eliminar esse estado de hospedeiro.

P. Alguma coisa pode ser feita para ajudar um(a) macho/fêmea a reproduzir novamente?

R. A pergunta é simples, mas a resposta não. Não é realmente possível afirmar ou negar categoricamente, sem uma investigação das circunstâncias. Se uma ave é velha, isso poderia significar uma cessação senil normal da capacidade de reprodução. Ainda, problemas de artrite afetando as juntas das pernas em aves mais velhas podem contribuir para uma infertilidade funcional em aves afetadas. Em outras situações, tumores no ovário ou testículos poderiam ser a causa. Em outras circunstâncias, a causa pode muito bem ser infecção crônica do ovário ou testículos por organismos bacterianos, tais como E. Coli ou o agente tifóide, etc. Se a ave é velha, pode ser que nada possa reverter a situação. Em outros casos, deixar um casal de aves idosas juntas durante o período invernoso pode ajudar a melhorar a fertilidade na próxima primavera. Também, a chegada do clima mais quente e mais horas de exposição à luz solar pode muito bem ser um benefício aos reprodutores mais velhos. Às vezes, com reprodutores mais velhos, Hormônio Folicular Estimulante (Follicle Stimulating Hormone - FSH) pode ser útil, mediante a aplicação de 1/10 centímetros cúbicos, dia sim dia não, por três tratamentos, repetidos em três semanas, se necessário. Os casais devem ser mantidos juntos durante esse tempo. Eu também li que o uso de creatina (utilizada por malhadores e levantadores de peso, etc.) pode ajudar alguns machos mais velhos a recuperar a fertilidade, mas pessoalmente não tenho nenhuma experiência com o produto. Finalmente, infecções do ovário e testículos, geralmente por organismos tifóides ou E. Coli, podem ser resolvidos mediante tratamento vigoroso com Baytril (150 a 600 mg por 4 litros de água). A dose mais baixa deve ser usada no clima quente, quando as aves bebem mais, e a dose mais elevada em clima mais frio, (quando as aves bebem menos) por 7 – 14 dias ou mais, pode ajudar. Nessa situação, um amigo utilizou Baytril em um nível de tratamento durante 28–30 dias para tentar reverter a infertilidade de reprodutores que tinham estado inférteis por um ano ou dois, e várias aves recuperaram totalmente a fertilidade, descobertas que indicavam a probabilidade de infecção do ovário ou testículos, ou ambas, nessas aves.

P. O que é cancro úmido?

R. Vamos iniciar com o cancro seco (tricomoniose, nota do tradutor), que é o tipo que todos vemos uma vez ou outra – a massa amarelada na garganta de uma ave jovem. Por contraste, diz-se que o cancro úmido está associado com o aparecimento de uma garganta vermelha irritada, acompanhada por excessivo muco sujo, mas sem massa amarelada. Eu me referi a essa condição na resposta à Pergunta 10.

P. Você dá alguma atenção à garganta das aves quando tenta avaliar a forma física na temporada de competição?

R. Sim, Deve haver uma certa quantidade de muco normal na área da garganta, como deve haver em nossa própria boca e garganta, para lubrificação. Somente a prática de examinar gargantas pode levá-lo a julgar o que é normal e o que é excessivo. Normalmente, a superfície da boca e da garganta deve possuir um bom e saudável tom de rosa, com uma pequena quantidade de muco que pode normalmente conter algumas bolhas de ar. Umas superfícies vermelhas irritadas aliadas a um muco excessivamente pegajoso e sujo indicam um problema. Por exemplo: às vezes, quando a temporada de corridas passa, o nível de estresse nas aves está suficientemente elevado para que o sistema imunológico se torne menos capaz de lidar com o ataque violento de organismos que o bombardeia toda hora e todo dia, e alguns deles, como o organismo do cancro, começam a multiplicar-se e causar problemas. As aves podem parecer bem, mas seu desempenho pode começar a cair. Quando os organismos do cancro se multiplicam na região da garganta, sua presença aos muitos milhares pode irritar a superfície, tornando-a áspera, irritada e vermelha. Também, para lidar com a irritação, as glândulas na região começam a excretar muco extra para suavizar a superfície. Uma vez que as bactérias na região também podem se aproveitar da superfície áspera, elas igualmente podem começar a se multiplicar e o muco pode se tornar viscoso e sujo devido à dupla investida. Amostras do muco examinadas através do microscópio podem revelar uma quantidade abundante de organismos de cancro alvoroçados. É por esse motivo que alguns veterinários recomendam o tratamento contra o cancro por um ou dois dias a cada 2 – 3 semanas durante toda a temporada. A maioria de nós sabe que um regime de tratamento completo contra o organismo do cancro faz todo sentido a qualquer tempo. Entretanto, durante a temporada de corrida um tratamento completo de 5 – 7 dias, digamos com Emytril, poderia deixar as aves completamente fora de forma. Por esse motivo, como o menor de dois males, um período de tratamento de 1- 2 dias no máximo é sugerido. Provavelmente, a melhor oportunidade para tratar é imediatamente após a corrida do fim de semana, digamos Domingo e Segunda, ou Segunda e Terça. Use a dosagem correta, por exemplo, uma colher de chá rasa por galão (4,55 litros) de água. Minha idéia é utilizar os métodos Australianos, que é excelente em minha opinião, porque proporciona a dose terapêutica correta e também evita problemas com a toxidade do medicamento. Eis o que você deve fazer se decidir continuar com tal programa:

Na alimentação noturna, misture a dose correta nos bebedouros e deixe a água tratada diante das aves por duas horas aproximadamente. Então remova a água tratada e substitua por água fresca e não tratada até a noite seguinte. Repita o processo por duas horas aproximadamente nessa noite e então utilize água fresca após isso para equilibrar a semana. (Você pode utilizar o mesmo método durante tratamentos pré-procriatórios contra cancro ou quando tratar aves jovens recém separadas durante os 5 – 7 dias padrão. Esse método é especialmente eficaz durante o clima quente, quando as aves bebem mais água, e poderiam se envenenar se bebessem muita água tratada com Emytril).

Às vezes, doença respiratória é uma causa de ruborização e muco excessivo na garganta, portanto esteja atento para aquela condição também (olhos inchados, corrimento nos olhos, narinas, espirros) [entalhe], e, se necessário, trate de forma adequada. O melhor tratamento é uma combinação de um antibiótico de tetraciclina, tais como Terramicina, Aureomicina e Doxociclina, adicionado de tilosina ou mesmo Suavanil, em dose máxima de cada durante 7 – 10 dias.

P. Quais os tipos diferentes de Salmonella existentes?

R. Tipos da espécie Salmonela de bactérias variam de centenas a milhares, e afetam muitas espécies de aves e animais, inclusive seres humanos. Infecções por Salmonela também podem ser descritas como infecções tifóides. Em pombos, a espécie de Salmonela mais comum é a Salmonela Typhimurium da variedade Copenhague, e de certa forma parece quase peculiar ao pombo. Eu digo “quase” porque a variedade Copenhague já foi ocasionalmente reportada em frangos. Se há alguma boa notícia (ou mais corretamente, uma notícia menos ruim) sobre a variedade Copenhague é que, primeiramente, ela está geralmente restrita a pombos, em segundo lugar, ela não tende a se propagar para seres humanos, como outros tipos de Salmonela fazem, e em terceiro lugar, a não ser quando antibióticos hajam sido mal dosados e a resistência pelo organismo tenha se desenvolvido, ela é geralmente sensível a uma variedade mais ampla de antibióticos que qualquer outra espécie de Salmonela. A fonte mais comum de organismos de Salmonela são aves infectadas recém chegadas, motivo pelo qual nova aquisições devem ser isoladas e os desgarrados (pombos selvagens e competidores desgarrados) não devem ser admitidos no criadouro.

De maneira ideal, essas aves, juntamente com seus próprios pombos extremamente retardatários, devem ser isoladas. Infecções por Salmonela em pombos podem se manifestar em inúmeras formas. Geralmente, em machos, há morte súbita, sem qualquer aviso prévio de que algo esteja errado. Geralmente essa infecção é mais crônica em fêmeas, e pode ser caracterizada por “furúnculos na asa” (infecções nas articulações), “emagrecimento”, severa perda de peso, e fezes viscosas. Diarréia é comum, geralmente com bastante muco e bolhas de gás. (Infecção por Paramixovírus (PMV) também pode resultar em fezes muito líquidas, mas na infecção por PMV há muito líquido que na realidade é urina, vinda dos rins danificados pelo vírus. Na infecção por PMV, há caracteristicamente uma grande porção de líquido no centro da qual há uma “serpentina” de fezes normais vindas do intestino. Na infecção tifóide, as fezes estão misturadas juntamente com qualquer líquido produzido. Ocasionalmente, o organismo tifóide pode infectar o cérebro e resultar em uma cabeça inclinada ou um pescoço retorcido. Outros sinais que podem ocorrer são ovos “podres” que caracteristicamente se apresentam negros, indicando que o ovo era fértil, mas posteriormente a infecção matou o embrião. (Ovos claros indicam que desde o início eles não eram férteis). Um outro sinal clássico é filhotes fracos ou mortos na casca do ovo. Os filhotes podem começar a bicar a casca, mas morrem antes de chocar. Um único filhote morto na casca não deve ser causa de inquietação, mas se mais alguns morrerem esse fato deve levantar suspeitas. Filhotes que começam a morrer entre 7 – 10 dias de idade, especialmente se apresentaram diarréia e pareciam desidratados com a pele escura avermelhada, devem causar preocupação em termos de infecção tifóide.

Muitos surtos ocorrem entre reprodutores, geralmente no final da temporada quando as aves ficam progressivamente estressadas com as crias, e quando o sistema imunológico está debilitado.

P. Se a ponta da língua de uma ave está azulada/negra significa um problema?

R. Não necessariamente, na realidade o Dr. David Marx, um notável veterinário de pombos nos Estados Unidos, considera como sendo uma variação normal na maioria das aves. Entretanto, se as membranas mucosas da boca e da garganta também estiverem azul escuro, esse achado pode muito bem indicar distúrbios circulatórios associados a um coração debilitado, ou doença respiratória que esteja interferindo na oxigenação adequada do sangue. Uma ave assim afetada pode muito bem apresentar severas dificuldades de respiração, muco excessivo nas narinas (catarro), estertor na traquéia (traquéia-artéria), etc.

P. As aves normalmente apresentam muco em suas gargantas?

R. Na realidade, sim. Algum muco claro é normal. Veja também minha resposta para a pergunta 10.

P. Quais são os benefícios do ginseng?

R. Eu não sei, uma vez que não uso produtos como esse. Eu acredito no princípio denominado “KISS” – Keep It Simple Sam (simplifique as coisas), e como um dinossauro em alguns aspectos, eu não gosto da idéia de ervas, etc., cujos efeitos eu desconheço. Entretanto, em minhas leituras eu descobri a seguinte informação que definitivamente não me inspira a utilizá-lo em mim ou em minhas aves: o ginseng é derivado da raiz de uma planta cujo nome científico é Panax Ginseng. Ele foi utilizado na China durante séculos como um estimulante para idosos e indivíduos debilitados. Ele é disponível na forma de raiz seca, chá, elixir, cápsulas, pastilhas e como uma linha de cosméticos. O ginseng contém vários componentes, inclusive peptídeos, esteróides e muitas substâncias não identificadas que parecem ser responsáveis por seu efeito estimulante.
Aparentemente, duas a três gramas são necessárias para proporcionar estímulo comportamental. Entretanto, a Síndrome de Abuso de Ginseng tem sido associada a essa erva em seres humanos. Em doses baixas, pressão alta, insônia, nervosismo, confusão mental e depressão, etc., foram encontradas em algumas pessoas. Os estrógenos (hormônios sexuais femininos) no ginseng também têm causado efeitos prejudiciais.

P. e R. Mike, meu camarada, você ESTÁ determinado a me colocar em apuros com o editor, não está?? Ha Ha!

P. Quais são os benefícios de ministrar alho na água e acrescentar suco de limão e levedura de cerveja na alimentação?

R. Alho parece ser um aditivo útil na água. O principal componente associado ao alho é a alicina. Ela é ativada logo que os dentes de alho são esmagados. A alicina é conhecida por possuir propriedades antibacterianas e diz-se que é eficaz mesmo em concentrações baixas como uma parte de alicina em 125,000 partes de água. Quando comparada à penicilina, diz-se que a alicina possui uma ação de cerca de 1% da ação da penicilina.

O alho inibe o crescimento, ou destrói, cerca de uma dúzia de tipos de bactérias (inclusive Estafilococos e Salmonela spp.), e pelo menos 60 tipos de fungos e leveduras. A alicina parece ser o principal elemento químico responsável por esse efeito.

Os microminerais selênio e germânio são dois componentes do alho japonês, e esses minerais podem surtir algum efeito por sua ação, primeiramente como antioxidantes, isto é, substâncias que protegem células e tecidos dos efeitos nocivos dos peróxidos no organismo. Em segundo lugar, eles são importantes para o desenvolvimento normal do sistema imunológico e, em terceiro lugar, eles podem possuir uma boa ação como agentes anticancerígenos.

O selênio tem demonstrado possuir um largo espectro de ação anticancerígena em ratos, por exemplo. Há indícios que os componentes químicos do alho podem ajudar auxiliar o organismo na desintoxicação, neutralizar ou eliminar substâncias nocivas.

Em pombos, o uso de alho após uma corrida pode auxiliar nas chamadas dietas “depurativas” – seja lá o que isso signifique – para restabelecer a condição normal de competição da ave. É possível que o uso de dentes de alho esmagados na água de beber nesse momento acrescente algum benefício extra ao permitir que o fígado e outros órgãos metabolizem substâncias, e ajudem a restabelecer as condições normais de competição das aves.

Evidências atuais de experiências de laboratório em seres humanos e animais, e a experiência empírica de muitos criadores, sugerem que, quando utilizado com critério, dentes de alho esmagados na água de beber podem ser um produto útil no criadouro durante todo o ano, mas especialmente nas temporadas de treino e competição.

Atualmente, óleos, pós e pílulas à base de alho parecem ser bem menos úteis. Possivelmente o desenvolvimento de novas técnicas de extração dos princípios ativos do alho possa superar os problemas presentes associados aos métodos atuais. Até que esses problemas sejam resolvidos, dentes frescos de alho comprados na mercearia ainda são a melhor fonte das propriedades medicinais do alho. Um detalhe importante – quando preparar soluções contendo dentes de alho amassados NÃO as aqueça. Aquecê-las a uma temperatura superior a 61,1 °C primeiramente tornará inativa a alicina e aniquilará completamente os motivos para utilizar a solução.

Suco de limão é uma boa fonte de vitamina C, também chamada ácido ascórbico. Desde que o suco de limão é ácido, ele pode ser útil para criar condições semelhantes nos intestinos, como um benefício para controlar inúmeros organismos bacterianos hostis.

Levedura de cerveja é um outro preferido dos criadores. Seu nome é derivado do processo de fermentação da cerveja do qual é um subproduto. A levedura produzida pela indústria cervejeira tende a ser amarga e difícil de consumir em quantidades significativas. Hoje, entretanto, a maioria das leveduras comercializadas não provém de cervejarias, mas são cultivadas para a exclusiva finalidade de suplementos alimentares. Essas leveduras podem ser intituladas como “nutricionais” ou “primárias”.

Ao contrário do fermento de panificação, a levedura nutricional é considerada um produto “morto” (inativo), e não funcionará no processo de fermentação. O conteúdo vitamínico e protéico da levedura nutricional dependerá do ambiente em que for cultivada. Leveduras alimentares são uma fonte rica de nutrientes e podem conter até 50% de proteína. Elas são uma excelente fonte de vitaminas B, exceto vitamina B12, que agora é acrescentada em algumas marcas para consumo humano.

Leveduras são uma boa fonte de minerais, especialmente selênio, cromo, ferro e potássio. Fósforo também é abundante na levedura; para manter um equilíbrio favorável entre cálcio e fósforo, alguns produtores adicionam cálcio aos seus produtos. Levedura é uma boa fonte de ácidos nucléicos, inclusive ácido ribonucléico. Possui baixos teores de gordura, carboidratos, sódio e calorias.

P. Pode-se dar muito dessas coisas aos pombos?

É difícil generalizar sobre esse ponto, mas é razoável presumir que, algumas vezes, esses produtos podem não ser tão bons quanto se espera, motivo pelo qual eu aconselho moderação. Vitaminas A e C em excesso pode ser nocivo, por isso eu relutaria em utilizar óleo de fígado de bacalhau com muita freqüência. Na realidade, eu prefiro mais e uso exclusivamente uma mistura multivitamínica que pode ser dada através da água de beber, digamos uma vez por semana, durante o ano todo. No que diz respeito ao micromineral selênio, há uma linha muito tênue entre deficiência de um lado e toxicidade do outro. Nunca dê porções extras de selênio. Eu teria muito cuidado com o uso de sulfato de cobre (vitríolo azul) para controlar coccidiose. Esse produto atua como um adstringente no intestino, e tende a reter as fezes, mas não faz muito, se é que faz algo, para controlar a coccidiose. Em excesso pode ser definitivamente tóxico. Mais uma vez eu advirto – tudo com moderação e nada de dano!

P. Há algo a se ganhar com a ministração de tônicos herbáceos?

R. Eu realmente não sei a resposta, uma vez que não utilizo esses produtos em mim ou em minhas aves e não os pesquisei detalhadamente. Eu suponho que a resposta depende do tipo de suplemento herbáceo utilizado. Elderberry tem sido elogiado recentemente como um tratamento para infecções viróticas em pombos. Dizem que Ecchinaceae ajuda o sistema imunológico. Além desse ponto, sei pouco sobre tônicos herbáceos, apesar de estar ciente que, a exemplo dos chás, muitos criadores os utilizam em suas aves.

Esse questionamento me veio quando eu tinha acabado de assistir a um documentário na TV sobre a selva Amazônica, e eu meditei sobre minha resposta à luz da informação daquele documentário. Parece que grande parte da vegetação, inclusive sementes e frutas comidas por muitas criaturas da selva, é altamente tóxica. Para lidar com esse problema, muitas criaturas, de macacos a aves, regularmente visitam certos depósitos de barro e consomem bastante argila, para absorver ou neutralizar essas toxinas. Eu não estou sugerindo que os chás contêm elementos tóxicos, mas com esse detalhe do documentário em mente, eu me perguntei: Qual é a composição desses chás e tônicos utilizados em pombos? Que plantas, inofensivas ou não, compõem esses produtos, e em que quantidades? Há algum controle de qualidade ou padrões oficiais que sejam aplicados em sua preparação? Eu presumo que no Reino Unido, assim como na América do Norte, haja exigências na rotulagem de produtos para definir os componentes de tais produtos, dentre outras, mas talvez não haja essa exigência em outros países. Alguns produtos europeus que eu vi pareciam não possuir exigências específicas de rotulagem, portanto eu sou averso a utilizá-los porque eu não sei o que contêm. Ingredientes misteriosos não me impressionam. Eu simplesmente questiono, uma vez que definitivamente não sei as respostas.

P. O vinagre é benéfico para as aves?

R. Acredito que possa ser útil. Eu sugiro que ele poderia ser um daqueles produtos que seriam úteis na água de beber (juntamente com soro de leite e as bactérias benéficas do iogurte ou probióticos disponíveis comercialmente) para acidificar o conteúdo intestinal, dessa forma criando um ambiente hostil para bactérias perigosas tais como o agente tifóide e grupos geradores de doenças de E. Coli, dentre outras. Esses organismos preferem mais um ambiente alcalino no qual podem se multiplicar prontamente. Um ambiente ácido nos intestinos pode reduzir suas ocorrências em 90% ou mais.

P. Alguns acreditam em criar os filhotes com aveia e melaço (não 100 por cento, é claro). Há algum benefício nisso?

R. Melaço possui um alto teor de carboidratos, é claro, (uma variação de 62 – 78%, dependendo da fonte), e possui um teor muito elevado de potássio (3,67 – 4,77%). O acréscimo de uma pequena quantidade de melaço na água de beber no período de reprodução e nas corridas pode ser benéfico – novamente, tudo com moderação.

A elevada quantidade de potássio no melaço me preocuparia um pouco, portanto eu utilizaria apenas uma pequena quantidade de vez em quando. A quantidade de carboidrato no melaço poderia ser útil na preparação das aves para corridas, uma vez que seria convertido em gordura, o combustível mestre para corridas. Esses carboidratos poderiam ser também um bom estimulante para as aves após retornarem da corrida. Glucose faria o mesmo efeito, portanto não estou certo que haja uma vantagem extra em utilizar melaço. Aveia pilada e farinha de aveia possuem cerca de 16% de proteína, 5,5 – 6% de gordura, e cerca de 64% de carboidrato, e seriam aditivos ideais na alimentação para reprodução, corrida e muda, em minha opinião. Para a criação, um nível de proteína total de 18%, para o qual a aveia pilada/farinha de aveia poderiam fazer uma contribuição útil, parece desejável.

P. Qual o efeito do cloro nas substâncias adicionadas aos bebedouros?

R. O cloro é um forte agente oxidante e, de acordo com o Dr. David Marx, um renomado veterinário de pombos nos Estado Unidos, ele pode se ligar a matérias orgânicas, inclusive medicamentos, e torná-los venenosos. Entretanto, por contraste, a quantidade de cloro nos reservatórios de água municipais é tão pequeno que seu efeito em substâncias acrescentadas à água é considerado insignificante. Por outro lado, criadores às vezes acrescentam cloro na forma de hipoclorito de sódio (alvejante caseiro) nos bebedouros como um desinfetante, ou para ajudar a controlar um problema de doença reincidente. Nessa circunstância, se o medicamento for também acrescentado aos bebedouros ao mesmo tempo, o nível elevado de cloro na água pode causar alterações nos medicamentos e torná-los venenosos. No mínimo, o cloro extra torna inócua a medicação.

P. Qual a importância da composição do solo/geografia/processo de secagem para a qualidade dos cereais?

R. Eu acredito que esses fatores possuem um papel importante e óbvio na qualidade do produto final, por exemplo, os cereais que compramos para nossas aves. Alguns solos em diferentes áreas geográficas podem ter um efeito significativo nos cereais cultivados aqui. Deficiências de uma variedade de minerais podem ocorrer em cereais cultivados que sejam deficientes nesses minerais. Por exemplo, plantas cultivadas em terras de pastagem e plantações já colhidas que estejam a favor do vento em relação a centros comerciais produtores de enxofre podem se tornar deficientes no micromineral selênio. O enxofre que flutua para a pastagem trazido pelo vento, propicia um considerável estímulo para o crescimento das plantas, consequentemente reduzindo o nível de selênio absorvido do solo pelas plantas, e causando uma deficiência de selênio. Devido à importância dos solos e suas composições minerais para os cereais neles cultivados, eu acredito que seja útil de vez em quando, se possível, conveniente e economicamente viável, adquirir cereais de áreas geográficas diferentes do país (ou do mundo). A idéia é que, se os cereais de uma área são deficientes em certos minerais, grãos de outras áreas podem ser capazes de suprir algumas ou todas essas deficiências.

Um outro caminho é obter uma mistura multi-mineral diversificada preparada para a criação, preferencialmente uma que contenha sal para encorajar as aves a comê-la, e deixá-la diante das aves o ano todo.

P. Qual o mais nutritivo – o grão recém colhido ou o da safra mais antiga?

R. A finalidade da semente dura de qualquer safra é proteger os conteúdos daquela semente até a época da germinação. Se a superfície da semente ou grão se mantém intacta, os conteúdos estão geralmente seguros de mudanças significativas. De acordo com um amigo que é nutricionista avícola, a única alteração significativa que pode ser encontrada é uma possível redução do conteúdo vitamínico pelo tempo, mas mesmo assim uma semente ou grão intactos podem manter a maioria dos nutrientes significativos por um considerável intervalo de tempo. Certa vez nos disseram que grãos recém colhidos precisavam de um certo período de tempo para “adocicar”, após o qual estaria adequado ao consumo. Parece que no momento há dúvida sobre isso. Assim, em teoria, grãos recém colhidos deveriam possuir o máximo de conteúdo de nutrientes ideais, comparado aos grãos de colheitas anteriores, especialmente se o conteúdo vitamínico for utilizado como critério de conveniência. Na prática, parece que qualquer um é tão adequado nutricionalmente quanto o outro.

P. Uma mudança radical na dieta é capaz de causar distúrbios em uma ave?

R. Sim, por minha experiência, isso é possível. Como exemplo, eu recordo a preparação de aves jovens para uma corrida de 270 milhas, e eu pensei que poderia elevar suas reservas de gordura utilizando milho extra. O problema foi que eu não vinha alimentando as aves com muito milho até então, e quando lhes forneci quantidades extras (parece que demais) nos últimos dois ou no último dia, eu simplesmente lhes dei uma indigestão e as tirei completamente de forma. Elas se sentaram numa posição curvada, claramente desconfortáveis e irritadas, então eu não pude embarcá-las.

Na manhã da corrida elas estavam bem (é claro!). Se as tivesse alimentando com mais milho até então, digamos 30 – 40% da ração (minha prática habitual), e então acrescentado a elevada porção extra de milho nos últimos dois dias, esse problema provavelmente não teria ocorrido. A principal alteração foi a súbita utilização de grandes quantidades de grão que elas não estavam completamente acostumadas a assimilar, e eu paguei o preço por meu erro. Tendo dito o que se passou, entretanto, eu reconheço o fato que nossas aves são muito adaptáveis, e em um ambiente natural, elas consumiriam quaisquer grãos ou sementes que estivessem disponíveis, em qualquer época do ano, sem efeitos danosos.