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DESPARASITAÇÃO

DESPARASITAÇÃO


Existe um grande número de medicamentos que contêm princípios activos com acção antiparasitária.

A tabela 4 reúne os antiparasitários eficazes contra os diferentes parasitas descritos nesta secção e a sua posologia (dose e modo de administração).

Existem produtos compostos apenas por um princípio activo e outros com associações (*) de dois ou três. Neste sentido podemos falar de:

  • Produtos específicos: para tratar parasitoses concretas.
  • Produtos de largo espectro: com eficácia face a diferentes tipos de parasitas. Por exemplo, Praziquantel + Embonato de Pirantel + Febantel.
A maioria dos antiparasitários comercializados são administrados por via oral sendo uma vez que é mais fácil e cómodo para o dono, mas existem outras soluções injectáveis que normalmente são aplicadas pelo veterinário na consulta.

A dose e períodos de administração recomendados nos folhetos pelos fabricantes são gerais e servem de orientação. É necessário ir ao veterinário para que se crie um protocolo de desparasitação e poder-se assim cobrir o período de permanência da parasitose, ou seja, abarcar o período de risco para o cão e/ou gato desde a altura em que possa ter ingerido formas infeccciosas até se poder detectar que estão infectados porque eliminam os parasitas nas suas fezes.

As normas de desparasitação seguem algumas características individuais de cada animal. É importante ter em conta:
  • A idade e o estado fisiológico: os animais jovens, as fêmeas em fase de gestação e os animais imunodeficientes devido a outras doenças debilitantes devem ser considerados de forma especial.

  • A dieta: rações comerciais, comida enlatada para animais, restos de comida, vísceras, etc.

  • O habitat: apartamento, casa com jardim (em áreas urbanizadas), imóvel, zona rural (com maior contacto com ruminantes e outros animais domésticos ou selvagens).

  • O tipo de actividade que desenvolvem: cães ou gatos de companhia, cães de guarda, de caça ou de trabalho (pastores).

  • O tempo que passam no exterior (o tempo de exposição ao meio ambiente possivelmente contaminado): número de passeios, tipo de passeio (parque ou campo aberto), com trela, soltos, etc.
Por ordem do menor para o maior risco, e segundo os parâmetros anteriores, podemos estabelecer algumas categorias, como por exemplo:

  • Os gatos que vivem num apartamento do qual só saiem para ir ao veterinário e comem ração e/ou comida enlatada estão pouco expostos à infecção de parasitas intestinais.
  • Os cães que vivem num apartamento, comem ração e saiem para passear o estritamente necessário para fazerem as suas necessidades fisiológicas, são os que estão menos expostos a estes riscos, sempre que quando vão atados e os donos podem assegurar que não comem nada contaminante.
  • Os cães que vivem num apartamento mas durante o seu passeio saiem para zonas abertas onde andam sem trela; os seus donos não podem assegurar que não comem ou bebem resíduos contaminados, pelo que correm o risco de se infectarem com parasitas intestinais.
  • Os cães de caça ou pastoreio, os cães que vivem em zonas rurais e andam soltos, os cães e gatos vadios ou sem qualquer controlo sanitário que podem ter acesso a cadáveres, águas contaminadas ou roedores, podem ser considerados "animais de risco".
Segundo estas categorias, é correcto pensar que é necessário individualizar as normas de desparasitação segundo as necessidades de cada animal e sempre de acordo com a indicação do Médico Veterinário. Contudo, em linhas gerais e para minimizar o risco, podemos estabelecer três normas gerais:
  • Animais de risco: desparasitar de dois em dois meses com um antiparasitário de largo espectro.
  • Cachorros: cumprir normas de medicina preventiva global (anteriormente referida).
  • Adultos: desparasitar de três em três ou de quatro em quatro meses com um antiparasitário de largo espectro.
Tabela 4. Antiparasitários de uso mais frequente no tratamento de parasitas intestinais dos animais de companhia.

Princípio activo Proto-
zoos
Cestodos
(vermes planos)
Nematodos(vermes redondos)
 
Febantel (v.o.)*
5-10 mg/kg/3 dias
- - + - + + - -
Fenbendazol (v.o.)
50 mg/kg/3 dias
+ - - - + + + -
Flubendazol (v.o.)
22 mg/kg/3 dias
- - - - + + - -
Ivermectina (s.c.)*
0,05-0,4 mg/kg
- - - - + + + +
Levamisol (s.c.)*
5-10 mg/kg (s.c.)
- - - - + + + +
Mebendazol (v.o.)
22 mg/kg/3-5 dias
- + + - + + - -
Metronidazol (v.o.)
25 mg/kg/12 em 12h 10 dias
+ - - - - - - -
Milbemicina (v.o.)
0,5 mg/kg
- - - - + + - -
Niclosamida (v.o.)*
75-100 mg/kg monodose
- - + + - - - -
Nitroscanato (v.o.)
50 mg/kg/monodose
- - + + + + - +
Oxibendazol (v.o.)*
10 mg/kg/3 dias
- - - - + + - -
Oxfendazol (v.o.)
10 mg/kg/3 dias
- - + + + + - -
Piperacina (v.o.)
100-200 mg/kg/5 dias
- - - - + + - -
Pirantel (v.o.)*
5-15 mg/kg/monodose
- - - - + + - -
Praziquantel (v.o.)(s.c.)*
5 mg/kg/monodose
- + + + - - - -
Selamectina("pour on")
6 mg/kg/monodose/30 d.
- - - - + + + +
Tiabendazol (v.o.)
50-100 mg/kg/monodose
- - - - + + - +
Praziquantel + Febantel + Embonato de Pirantel*
(50 mg + 150 mg + 50 mg) /10 kg / monodose (**).
+ + + + + + - -


(+) Eficácia

(*) Associações comercializadas (preparações de largo espectro):
- Ivermectina + Pirantel
- Niclosamida + Levamisol
- Niclosamida + Oxibendazol
- Pirantel + Praziquantel
- Febantel + Pirantel + Praziquantel

(**) Giardiose: 3 dias